2.8.06

Passagem

No momento em que teclo no computador, faltam exactamente 29 horas para terminar uma etapa profissional. Até onde posso ver na linha do horizonte mais próximo, vou sair de um sítio onde nunca devia ter entrado para entrar num outro sítio, de onde nunca mais devo sair (a não ser em sentido ascendente ou paralelo, mas sob a tutela do mesmo empregador). Estou um pouco nervoso. Tantas vezes passei por circunstâncias em que julguei ter encontrado o meu caminho (para momentos - dias, semanas ou meses depois - descobrir que o que parecia sólido afinal era etéreo), que hoje tenho dúvidas no lugar onde só deviam estar certezas. É o velho (e, como tal, testado e confirmado diversas vezes) aforismo: gato escaldado de água fria tem medo. Entreguei a minha carta de rescisão nesta 2ª-feira (hoje é 4ª-feira), após ter a confirmação (até onde é possível considerar algo confirmável, nesta vida que levo) de que "nos próximos dez dias" o que quero se vai concretizar (prazo que expira na próxima 4ª-feira). De caminho, aproveitei para recusar um outro convite profissional, até com algum interesse (não tanto pelo que presentemente proporcionaria em termos de aprendizagem ou compensação financeira). E se, no fim deste caminho por esta ponte entre um passado inconstante e indefinido, encontro-a incompleta e tenho de voltar para trás? Muito doloroso seria tal suceder, uma dor talvez até despoletadora de uma acção pessoal pela qual, face a tanto esforço, toda a perspectiva de vida que hoje assumo se alteraria para algo diferente.... Espero que não passe por esse dia, mas sim por outros.

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