Este é um blog dedicado à expressão dos problemas das nossas vidas, e do seu peso e volume. É que um problema pode ser enorme, mas fácil de transportar, e ser diminuto de aspecto mas levar-nos ao fundo...
26.7.06
Primeira impressão
Quanto vale uma primeira impressão? A questão, atirada para o início deste post, não tem nada de inocente. De facto, no que a um texto escrito diz respeito (como podemos generalizar, sempre atentos às eventuais excepções), as primeiras frases marcam o passo a que esse texto segue na leitura dos nossos olhos. Um início calmo, sem pontuações demarcadoras nem frases curtas, transmite a quem lê uma determinada atitude (intencional por parte de que escreve). Po outro lado, iniciar um post com uma questão é causar uma primeira impressão que, nestas palavras específicas, se debruça sobre... a primeira impressão.
Bom, seguindo directamente para o tema: a primeira impressão que causo é, frequentemente, tão divergente da imagem que se forma nos outros após o contacto mais aprofundado com a minha pessoa, que tenho de concluir que se calhar há algo de errado comigo e com a forma como ajo.
A frontalidade que teimo em praticar é traduzida por convencimento. A atitude de boa-disposição é interpretada como "mania" ou perturbação. As acções e movimentos são apreciados como formas inferiores de sugestão (pela minha parte) de "favores" especiais (por parte dos meus interlocutores)... Algo devo andar a fazer de errado, para involuntariamente induzir em várias pessoas uma má impressão. É favorável à minha psique que, após algum tempo de convivência, os colegas, amigos ou conhecidos com quem lido possuam já uma impressão tão distinta desta inicial que tenham a atenção de a partilhar comigo. Afinal, é possível depreender que o que penso que é a minha forma de estar não foge muito do que gostaria de dizer que é. No entanto, não descansarei enquanto não reduzir ao palpável e alterável estes obstáculos à primeira impressão positiva que tanto me esforço por transmitir. Não é que pretenda (porque não pretendo) causar uma impressão positiva em todas as pessoas com quem futuramente me cruzar, mas gostaria de o conseguir junto daquelas que, pelo seu conjunto, causem em mim uma primeira impressão positiva (as quais são, se não em outros âmbitos, pelo menos neste mais hábeis que eu).
21.7.06
O fundo das questões III
Quando ia a conduzir, pela estrada fora, no fim de tarde de ontem, percebi qual é o fundo das questões que aqui tenho colocado. De facto, a resposta é até bastante simples: alguns de nós temos necessidade de questionar, de desperdiçar, de insistir...
A vontade de garantir que a vida nos corre bem (traduzida nas acções que nos conduzem de um estado para o estado imediatamente superior, como o de filho para pai ou o de estudante para trabalhador e daí para chefe) é condimentada, diversas vezes, por momentos em que, tendencialmente, nos desgastamos (e perdoem-me pela insistência nesta palavra, mas é a que mais adequadamente congrega a sensação que pretendo transmitir). E, se esses espaços em que aparentemente nada de fulcral sucede, são evidentes posteriormente, na altura a sua observação pode (acredito) não ser tão clara... E porque têm de ocorrer, porque (ao contrário das novelas) nem tudo o que connosco se passa é sempre importante, e porque os segundos da nossa vida continuam a passar mesmo que não o queiramos... enfim, desgastemo-nos. Afinal, é da colocação de questões como esta que a Filosofia (não que eu queira ser filósofo, atenção!) vai vivendo, num mundo em que tudo parece tão mastigado, seleccionado, filtrado e pronto a digerir por consumidores que, cada vez, menos questões colocam às fontes e meios de conhecimento...
20.7.06
O fundo das questões II
Ontem escrevi uma parte deste post. Entretanto pensei, coligi uma série de ideias associadas à questão do desgaste, e agora tenciono expô-las. E isto, é desgaste? É movimento sem sentido, ou é um percurso para algum destino? É destas perguntas que se devia viver, da questão "para quê?", "porquê?", "faz sentido?"... É que, por mais que se tente não recordar, a vida é curta e é isto um facto indesmentível e incontornável. E desgasta-nos pensar nisso, mas temos de pensar. Por outro lado, pensar que temos um tempo limitado para cá andar e que as acções que desempenhamos nos fazem perder tempo (precioso)... como fazer as opções certas? Como investir no que é fulcral, em detrimento do acessório, repetitivo e banal?
19.7.06
O fundo das questões
Trabalho, como, respiro, compro, estudo, ensino, aprendo, ando, corro, sento-me... Faço tudo o que posso, mas para chegar aonde? E vindo de onde, é suposto chegar aonde quero? A inevitabilidade de o ser humano se mexer (negada por algumas excepções que teimam em andar por aqui sem vontade de chegar a algum lugar diferente de onde se encontram desde que nascem) faz com que, muitas vezes, nos mexamos sem grande orientação. Desgaste. Este é um tema a que vou voltar, se calhar num processo de desgaste...
6.7.06
Coisas que não quero
Não quero muitas coisas.
Não quero, num primeiro exemplo, ser confundido com alguém que correu, correu, correu e não se moveu. Não quero, também, que o espelho me mostre um homem cansado sem centelha. Não quero que o meu passado seja árido e de poucas palavras, mas sim um baú cheio de movimento, de memórias que se cruzam e cumprimentam, numa vida rica de recordações.
Não quero pessoas que tenha de arrastar mas sim que caminhem ao meu lado ou me impulsionem. Não quero frustrações que não sejam úteis para recordar e reflectir, nem quero perder a oportunidade de aprender com os erros que der.
Não quero, indubitavelmente, transportar dúvidas de um dia para o outro. Nem, sem nada mais, sentir que as mãos estão vazias. Prefiro-as enrugadas, mas acariciando momentos felizes e enriquecedores.
3.7.06
Verão atípico
E este Verão, o que é que acham deste Verão? Eu sei, eu sei, este blog deveria manter-se na linha dos posts anteriores, e focar problemas (e seu peso e volume) de sentido espiritual sentidos pelo escriba destas linhas...
Mas este Verão é surpreendente! Desde o Inverno passado, em que, pela primeira vez desde que sei, nevou em Alverca, que percebi que as coisas se tinham alterado um pouco, meteorologicamente falando.
Mas daí a ter de vestir roupa de Inverno em pleno Verão português (num país que sofreu, recentemente, um período de seca extrema)... é surpreendente a potes!
Incrivelmente, este é um daqueles temas no qual a dualidade de vontades se manifesta: é que sempre desejei um Verão assim! Sem temperaturas elevadas, sem que o alcatrão se agarrasse aos chinelos... Mas, agora, não o quero, porque o Pedro (meu filho, para quem não saiba) não pode sair de casa sem se agasalhar todo (nem estar no chão de casa sem roupa que o proteja de resfriados).
Bolas!, que difícil é ter o que se desejou e não se querer!
Euforia sem perspectiva
O futebol... o futebol tem trazido momentos de euforia, de festa, de emoção... De facto, as campanhas (que termo tão "militar"... mas é o que se lê e ouve) da selecção nacional de futebol têm aquecido os corações dos que por ela torcem e vibram, na expectativa de, passados 90 minutos (ou 120, ou ainda passados uns segundos na marcação de um penálti), vibrar com mais uma conquista (outro termo porventura "pesado"...) da selecção de todos nós.
Mas, e os outros que nos representam? E os atletas para-olímpicos, que correm, saltam, suam e sofrem, trazendo medalhas verdadeiramente conquistadas (porque sacadas das mãos de um destino que os quis prender às suas desvantagens)?
Na perspectiva de entretenimento, gosto de ver futebol. É um desporto que, ocasionalmente, tem (na expressão de alguns poucos iluminados) momentos de fascínio. Mas não vibro nem sofro pelo resultado emergente de uma partida de futebol jogada entre 22 milionários, com mais alguns nos bancos de suplentes das respectivas equipas. Sofro, isso sofro, quando vejo e oiço que atletas que superam todos os dias barreiras aparentemente inultrapassáveis têem de mendigar por apoios humildes da parte do Estado.
Já agora, quantos governantes foram a Sidney ver os nossos atletas para-olímpicos serem medalhados? E quantas vezes suspendeu ou "adaptou" a Assembleia da República os seus trabalhos para os apoiar?
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