6.7.06

Coisas que não quero

Não quero muitas coisas. Não quero, num primeiro exemplo, ser confundido com alguém que correu, correu, correu e não se moveu. Não quero, também, que o espelho me mostre um homem cansado sem centelha. Não quero que o meu passado seja árido e de poucas palavras, mas sim um baú cheio de movimento, de memórias que se cruzam e cumprimentam, numa vida rica de recordações. Não quero pessoas que tenha de arrastar mas sim que caminhem ao meu lado ou me impulsionem. Não quero frustrações que não sejam úteis para recordar e reflectir, nem quero perder a oportunidade de aprender com os erros que der. Não quero, indubitavelmente, transportar dúvidas de um dia para o outro. Nem, sem nada mais, sentir que as mãos estão vazias. Prefiro-as enrugadas, mas acariciando momentos felizes e enriquecedores.

1 comentário:

Anónimo disse...

Faço das tuas as minhas palavras! Desde que engravidei e que a minha filha nesceu que tenho a sensação de estar a correr, mas em circulos. Há dias em que sinto que pelo menos tudo isto tem de servir para aprendermos algo, aprendermos que ninguém vai á luta por nós! Não têm sido faceis estes ultimos meses da minha vida e tenho um medo terrivel de me acomodar e parar de lutar mas dia após dia vou descobrindo forças em mim que pensei nunca ter.Hoje, mais do que nunca sei que afinal, como dizia Satre, somos seres sozinhos no mundo e apesar da familia, dos amigos e até companheiros, ninguém poderá alcançar a nossa própria felicidade senão nós mesmos, nem que esta seja tirada a ferros!