Este é um blog dedicado à expressão dos problemas das nossas vidas, e do seu peso e volume. É que um problema pode ser enorme, mas fácil de transportar, e ser diminuto de aspecto mas levar-nos ao fundo...
30.9.06
Impressões do novo emprego
Bom dia. Após uma longa ausência (e, no "tempo informático", o cronómetro corre depressa, o que faz com que os vinte e tal dias em que não coloquei novo post se traduzam em anos e anos de separação entre a postagem anterior e a actual...), consegui reunir todas as condições para me manifestar acerca do novo emprego em que presentemente estou.
Bom, como previsto, o salário é, efectivamente reduzido. Mais, é um valor abaixo das despesas que correntemente tenho de saldar, pelo que neste momento a linha de acção é "perder peso" nos gastos e "ganhar sustentabilidade" nos ganhos.
A experiência propriamente dita? É maravilhosa. Não é que seja um trabalho fascinante (já no passado me envolvi em actividades profissionais mais estimulantes a olho nú), mas é "aquilo". Quero dizer, quase "aquilo".
2.8.06
Passagem
No momento em que teclo no computador, faltam exactamente 29 horas para terminar uma etapa profissional. Até onde posso ver na linha do horizonte mais próximo, vou sair de um sítio onde nunca devia ter entrado para entrar num outro sítio, de onde nunca mais devo sair (a não ser em sentido ascendente ou paralelo, mas sob a tutela do mesmo empregador).
Estou um pouco nervoso. Tantas vezes passei por circunstâncias em que julguei ter encontrado o meu caminho (para momentos - dias, semanas ou meses depois - descobrir que o que parecia sólido afinal era etéreo), que hoje tenho dúvidas no lugar onde só deviam estar certezas. É o velho (e, como tal, testado e confirmado diversas vezes) aforismo: gato escaldado de água fria tem medo.
Entreguei a minha carta de rescisão nesta 2ª-feira (hoje é 4ª-feira), após ter a confirmação (até onde é possível considerar algo confirmável, nesta vida que levo) de que "nos próximos dez dias" o que quero se vai concretizar (prazo que expira na próxima 4ª-feira). De caminho, aproveitei para recusar um outro convite profissional, até com algum interesse (não tanto pelo que presentemente proporcionaria em termos de aprendizagem ou compensação financeira). E se, no fim deste caminho por esta ponte entre um passado inconstante e indefinido, encontro-a incompleta e tenho de voltar para trás? Muito doloroso seria tal suceder, uma dor talvez até despoletadora de uma acção pessoal pela qual, face a tanto esforço, toda a perspectiva de vida que hoje assumo se alteraria para algo diferente.... Espero que não passe por esse dia, mas sim por outros.
26.7.06
Primeira impressão
Quanto vale uma primeira impressão? A questão, atirada para o início deste post, não tem nada de inocente. De facto, no que a um texto escrito diz respeito (como podemos generalizar, sempre atentos às eventuais excepções), as primeiras frases marcam o passo a que esse texto segue na leitura dos nossos olhos. Um início calmo, sem pontuações demarcadoras nem frases curtas, transmite a quem lê uma determinada atitude (intencional por parte de que escreve). Po outro lado, iniciar um post com uma questão é causar uma primeira impressão que, nestas palavras específicas, se debruça sobre... a primeira impressão.
Bom, seguindo directamente para o tema: a primeira impressão que causo é, frequentemente, tão divergente da imagem que se forma nos outros após o contacto mais aprofundado com a minha pessoa, que tenho de concluir que se calhar há algo de errado comigo e com a forma como ajo.
A frontalidade que teimo em praticar é traduzida por convencimento. A atitude de boa-disposição é interpretada como "mania" ou perturbação. As acções e movimentos são apreciados como formas inferiores de sugestão (pela minha parte) de "favores" especiais (por parte dos meus interlocutores)... Algo devo andar a fazer de errado, para involuntariamente induzir em várias pessoas uma má impressão. É favorável à minha psique que, após algum tempo de convivência, os colegas, amigos ou conhecidos com quem lido possuam já uma impressão tão distinta desta inicial que tenham a atenção de a partilhar comigo. Afinal, é possível depreender que o que penso que é a minha forma de estar não foge muito do que gostaria de dizer que é. No entanto, não descansarei enquanto não reduzir ao palpável e alterável estes obstáculos à primeira impressão positiva que tanto me esforço por transmitir. Não é que pretenda (porque não pretendo) causar uma impressão positiva em todas as pessoas com quem futuramente me cruzar, mas gostaria de o conseguir junto daquelas que, pelo seu conjunto, causem em mim uma primeira impressão positiva (as quais são, se não em outros âmbitos, pelo menos neste mais hábeis que eu).
21.7.06
O fundo das questões III
Quando ia a conduzir, pela estrada fora, no fim de tarde de ontem, percebi qual é o fundo das questões que aqui tenho colocado. De facto, a resposta é até bastante simples: alguns de nós temos necessidade de questionar, de desperdiçar, de insistir...
A vontade de garantir que a vida nos corre bem (traduzida nas acções que nos conduzem de um estado para o estado imediatamente superior, como o de filho para pai ou o de estudante para trabalhador e daí para chefe) é condimentada, diversas vezes, por momentos em que, tendencialmente, nos desgastamos (e perdoem-me pela insistência nesta palavra, mas é a que mais adequadamente congrega a sensação que pretendo transmitir). E, se esses espaços em que aparentemente nada de fulcral sucede, são evidentes posteriormente, na altura a sua observação pode (acredito) não ser tão clara... E porque têm de ocorrer, porque (ao contrário das novelas) nem tudo o que connosco se passa é sempre importante, e porque os segundos da nossa vida continuam a passar mesmo que não o queiramos... enfim, desgastemo-nos. Afinal, é da colocação de questões como esta que a Filosofia (não que eu queira ser filósofo, atenção!) vai vivendo, num mundo em que tudo parece tão mastigado, seleccionado, filtrado e pronto a digerir por consumidores que, cada vez, menos questões colocam às fontes e meios de conhecimento...
20.7.06
O fundo das questões II
Ontem escrevi uma parte deste post. Entretanto pensei, coligi uma série de ideias associadas à questão do desgaste, e agora tenciono expô-las. E isto, é desgaste? É movimento sem sentido, ou é um percurso para algum destino? É destas perguntas que se devia viver, da questão "para quê?", "porquê?", "faz sentido?"... É que, por mais que se tente não recordar, a vida é curta e é isto um facto indesmentível e incontornável. E desgasta-nos pensar nisso, mas temos de pensar. Por outro lado, pensar que temos um tempo limitado para cá andar e que as acções que desempenhamos nos fazem perder tempo (precioso)... como fazer as opções certas? Como investir no que é fulcral, em detrimento do acessório, repetitivo e banal?
19.7.06
O fundo das questões
Trabalho, como, respiro, compro, estudo, ensino, aprendo, ando, corro, sento-me... Faço tudo o que posso, mas para chegar aonde? E vindo de onde, é suposto chegar aonde quero? A inevitabilidade de o ser humano se mexer (negada por algumas excepções que teimam em andar por aqui sem vontade de chegar a algum lugar diferente de onde se encontram desde que nascem) faz com que, muitas vezes, nos mexamos sem grande orientação. Desgaste. Este é um tema a que vou voltar, se calhar num processo de desgaste...
6.7.06
Coisas que não quero
Não quero muitas coisas.
Não quero, num primeiro exemplo, ser confundido com alguém que correu, correu, correu e não se moveu. Não quero, também, que o espelho me mostre um homem cansado sem centelha. Não quero que o meu passado seja árido e de poucas palavras, mas sim um baú cheio de movimento, de memórias que se cruzam e cumprimentam, numa vida rica de recordações.
Não quero pessoas que tenha de arrastar mas sim que caminhem ao meu lado ou me impulsionem. Não quero frustrações que não sejam úteis para recordar e reflectir, nem quero perder a oportunidade de aprender com os erros que der.
Não quero, indubitavelmente, transportar dúvidas de um dia para o outro. Nem, sem nada mais, sentir que as mãos estão vazias. Prefiro-as enrugadas, mas acariciando momentos felizes e enriquecedores.
3.7.06
Verão atípico
E este Verão, o que é que acham deste Verão? Eu sei, eu sei, este blog deveria manter-se na linha dos posts anteriores, e focar problemas (e seu peso e volume) de sentido espiritual sentidos pelo escriba destas linhas...
Mas este Verão é surpreendente! Desde o Inverno passado, em que, pela primeira vez desde que sei, nevou em Alverca, que percebi que as coisas se tinham alterado um pouco, meteorologicamente falando.
Mas daí a ter de vestir roupa de Inverno em pleno Verão português (num país que sofreu, recentemente, um período de seca extrema)... é surpreendente a potes!
Incrivelmente, este é um daqueles temas no qual a dualidade de vontades se manifesta: é que sempre desejei um Verão assim! Sem temperaturas elevadas, sem que o alcatrão se agarrasse aos chinelos... Mas, agora, não o quero, porque o Pedro (meu filho, para quem não saiba) não pode sair de casa sem se agasalhar todo (nem estar no chão de casa sem roupa que o proteja de resfriados).
Bolas!, que difícil é ter o que se desejou e não se querer!
Euforia sem perspectiva
O futebol... o futebol tem trazido momentos de euforia, de festa, de emoção... De facto, as campanhas (que termo tão "militar"... mas é o que se lê e ouve) da selecção nacional de futebol têm aquecido os corações dos que por ela torcem e vibram, na expectativa de, passados 90 minutos (ou 120, ou ainda passados uns segundos na marcação de um penálti), vibrar com mais uma conquista (outro termo porventura "pesado"...) da selecção de todos nós.
Mas, e os outros que nos representam? E os atletas para-olímpicos, que correm, saltam, suam e sofrem, trazendo medalhas verdadeiramente conquistadas (porque sacadas das mãos de um destino que os quis prender às suas desvantagens)?
Na perspectiva de entretenimento, gosto de ver futebol. É um desporto que, ocasionalmente, tem (na expressão de alguns poucos iluminados) momentos de fascínio. Mas não vibro nem sofro pelo resultado emergente de uma partida de futebol jogada entre 22 milionários, com mais alguns nos bancos de suplentes das respectivas equipas. Sofro, isso sofro, quando vejo e oiço que atletas que superam todos os dias barreiras aparentemente inultrapassáveis têem de mendigar por apoios humildes da parte do Estado.
Já agora, quantos governantes foram a Sidney ver os nossos atletas para-olímpicos serem medalhados? E quantas vezes suspendeu ou "adaptou" a Assembleia da República os seus trabalhos para os apoiar?
23.6.06
Não consigo descansar
Ando cansado, mas não consigo dormir. Ou melhor, durmo imediatamente após deitar-me na cama, mas não descanso após o adormecimento.
Parece-me estar num outro plano, vivendo outras situações, adicionais às que já vivo durante o dia (e que me preocupam tanto - porque pareço estar acordado enquanto sonho - como as que no dia vivo). Isto traz um cansaço tal, que acordo quase tão cansado como quando adormeço, num ciclo vicioso: por estar cansado durmo mal, por dormir mal estou cansado, por estar cansado durmo mal, por dormir mal estou cansado. Remédio: não me preocupar nem me cansar, para poder dormir melhor. Posologia: desemprego por enriquecimento súbito (vide Euromilhões ou herança), 1 vez na vida. Pelo menos, e isto é importante que se diga, não estou tão mal como poderia estar (já lá estive, sei onde é e como parece).
Entrevista de Emprego II
Numa tarde, enviei um e-mail de resposta a uma oferta de emprego. 10 minutos depois, sou contactado, pela empresa correspondente. Tenho o perfil certo, aparentemente as minhas qualificações adequam-se, mas... e de aspecto? "Qual é o seu aspecto físic0?", pergunta o interlocutor. "Tenho os dois olhos, não me falta nenhum membro, as pessoas não fogem a correr quando me vêem passar...", digo eu.
"Não leve a mal, é que na empresa que representamos a aparência é muito importante".
A aparência é muito importante porquê? Vou ser pior trabalhador se não usar uma gravata que me associe aos "bons"? Vou desempenhar a minha função de forma mais displiciente se não tiver vestido fato? Provavelmente seria ostracizado, se na referida empresa, após a contratação e a assinatura do contrato (omisso neste ponto... eu sei, eu sei, referir que li o contrato retira a piada à história porque se depreende que fui contratado, o que é verdade) decidisse não usar o "uniforme".
Prontos!, venho com o fato dobradinho na mota, e troco de roupa no WC do escritório. Mas digo-vos: se é suposto o fato e gravata embelezar a minha aparência, não está a ser bem-sucedido... e sinto-me mais desconfortável e inseguro do que alguma vez me senti, em qualquer outra actividade profissional (e já passei por muitas, apesar da minha tenra idade).
29.5.06
Feira do Livro
Ontem fomos à feira, mas não de roupas. Vimos de uma ponta à outra a Feira do Livro, num dos espaços mais aprazíveis da nossa Lisboa caótica (mas pouco, que ainda somos uma capital "periférica"...). O miúdo parece que gostou, a minha mulher parece que gostou, eu parece que gostei... Sò tive pena de não ter visto os meus livros de banda desenhada (ah, Batman, X-Men, Quarteto Fantástico, onde andam vocês?), mas comprei um livrão (uma autêntica bíblia para o apoio ao trabalho estatístico da tese que vou fazer).
Entrevista de Emprego
Cheguei. Sentei-me e esperei. Tentei acalmar-me (não pode ser uma coisa tão má, ser entrevistado...). Vi pessoas movimentarem-se em direcção à sala de entrevistas, e vozes animadas do seu interior.
Então, se o ambiente é bom, porque é que me sinto nervoso? Será por não poder ser eu próprio, mas sim uma parte minha, a mais profissional? Será por não ter meio de saber a resposta ao "exercício" de ser entrevistado (Foi aceite: Prova superada; Escolhemos outra pessoas: Prova não superada)?
Bom, fui, falei (demais, como bastantes vezes sucede, por infelicidade minha, que sou dono desta boca grande), despedi-me, levantei-me e saí. Espero voltar àquela sala... Vamos ver no que dá.
12.5.06
O Doutoramento - Post I
Em Portugal, para ter um grau académico é preciso pagar, pagar, e pagar...
Para estudar, para ler, para saber, para, no fim... pouco fazer com o que se obteve.
Mas, nesta estrutura educativa, não temos outra hipótese a não ser seguir as regras, e progredir num sistema que resvala para a avaliação dos alunos, professores e estabelecimentos com base no seu aspecto físico e apelido.
Enfim, é para quem quer...Qualquer dia, não me surpreenderia se tivessemos de pagar para ter os nossos filhos no ensino "obrigatório" (já não falta muito, à velocidade com que o Estado se demarca das responsabilidades mais elementares, como a Saúde e a Educação).
6.5.06
As aventuras do Bebé Pedrinho
1.
De manhã cedo, a mamã acorda o Bebé Pedrinho com uma festinha no cabelo.
O Bebé Pedrinho, que estava a sonhar enroladinho nos seus lençóis, desperta com alegria.
Levanta-se, agarrado ao seu berço, e, ainda zonzo, sorri para a mamã, que lhe retribui o sorriso.
"Bom dia, filho", diz a mamã, levantando o Bebé Pedrinho até este ficar abraçadinho à sua mamã linda.
2.
Com o babete posto, o Bebé Pedrinho vê o biberão cheio de leite e sorri. A mamã senta-se na caminha, aconchegando o Bebé Pedrinho no seu peito, sorrindo também enquanto coloca a tetina na boca risonha do Bebé Pedrinho.
As mãozinhas do Bebé Pedrinho tentam segurar sozinhas o pesado biberão, mas a mamã diz "Ainda és pequenino, bebé", piscando-lhe o olho.
O Bebé Pedrinho não se importa. Ainda vai conseguir fazer muitas mais coisas na vida...
3.
Depois do leitinho todo bebido, é hora de trocar a fraldinha.
A mamã deita o Bebé Pedrinho na caminha, com festas na sua barriguinha.
O Bebé Pedrinho lança-se ao cesto das fraldas, tirando-as com ar maroto, enquanto a mamã lhe diz "És tonto...", abanando a cabeça.
Ao som dos risos, troca-se a fraldinha num instante. O Bebé Pedrinho põe-se, então, de pé, agarrado à sua mãezinha, olhando-a bem nos olhos castanhos lindos que ela tem.
A sua boca ainda não sabe expressar o que sente, mas os seus olhinhos, castanhos também, dizem-lhe: "Ès a melhor mamã do mundo..."
5.5.06
A melhor mulher e mãe do mundo
A minha mulher é uma pessoa muito especial. A mulher dos homens que lerem isto também.
A minha mulher é linda...mas, novamente, a mulher dos outros também será (para eles) linda, ou pelo menos atraente!
Então, o que faz a minha mulher especial? Será o ter um brilho único nos olhos? Ou é a boca dela, que se comprime quando sorri, e me diz as coisas que mais gosto de ouvir quando nos olhamos?
Não, já sei... é por existir. Só poder vê-la, e ao nosso filho, faz-me ter a certeza que algo de muito bom existe lá em cima, onde os planetas giram e as estrelas brilham... Amo-a!
Como o contexto impede a progressão individual
Quero trabalhar, mas não consigo um emprego (para o qual estou mais que habilitado, e numa organização que até precisa bastante de alguém para o meu lugar).
Quero fazer o doutoramento, mas não me autorizam a receber um orientador (não é de bom tom acabar o doutoramento em um ano e meio, como provavelmente poderei fazer).
Quero ajudar a minha família, mas todas as estruturas de segurança social (ou devo chamá-las "insegurança social"...) negam o provimento de necessidades básicas, como o direito à saúde ou à alimentação.
Isto está mau.... muitos problemas de peso e volume significativo!
28.4.06
Peso e Volume
Este é o primeiro post que coloco no blog. Espero que seja percursor de muitos outros.
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